segunda-feira, 17 de abril de 2017

Cuidado com a Soja

Você bebe leite de soja e come carne de soja e acha que isso faz muito bem à sua saúde?
Então é bom ler este artigo até o fim.
No mundo inteiro, o setor de soja movimenta uma fortuna.
E tentam nos fazer acreditar que devemos consumir soja porque ela faz muito bem.
Será verdade?
Propagada como um alimento rico em proteínas, baixo em calorias, carboidratos e gorduras, sem colesterol, rico em vitaminas, de fácil digestão, um ingrediente saboroso e versátil na culinária, a soja, na verdade, é mais um conto do vigário do qual a maioria é vítima.
A soja vem da Ásia, mais especificamente da China.
Porém os chineses só consumiam produtos fermentados de soja, como o shoyu e o missô, os melhores produtos da soja.
Não é à toa que os antigos chineses não se alimentavam do grão de soja.
Hoje a ciência sabe que ele contém uma série de substâncias que podem ser prejudiciais à saúde e que recebem o nome de antinutrientes.
Um desses antinutrientes é um inibidor da enzima tripsina, produzida pelo pâncreas e necessária à boa digestão de proteínas.
Os inibidores da tripsina não são neutralizados pelo cozimento.
Com a redução da digestão das proteínas, o caminho fica aberto para uma série de deficiências na captação de aminoácidos pelo organismo. Animais de laboratório desenvolvem aumento no tamanho do pâncreas e até câncer nessa glândula quando submetidos a dietas ricas em inibidores da enzima tripsina.
Uma pessoa que não absorve corretamente os aminoácidos tem seu crescimento e desenvolvimento prejudicados.
Você já notou que os japoneses são, normalmente, mais baixinhos?
Já os descendentes que vivem em outros países e adotam as dietas desses países costumam ter uma estatura maior que a média no Japão (Wills, M. R. et al. Phytic acid and nutritional rickets in immigrants. The Lancet, 8 de abril de 1972, p. 771-773).
O efeito inibidor da absorção de aminoácidos pode comprometer a fabricação de inúmeras substâncias formadas a partir deles, entre os quais os neurotransmissores.
A enxaqueca, a cefaleia em salvas, a cefaleia do tipo tensional e outras dores de cabeça, além de depressão, ansiedade, pânico e fibromialgia, são causadas por um desequilíbrio dos neurotransmissores. Qualquer fator que prejudique a sua fabricação pode aumentar ou perpetuar esse desequilíbrio.
A soja contém também uma substância chamada hemaglutinina, que pode aumentar a viscosidade do sangue e facilitar a sua coagulação. Portadores de enxaqueca já sofrem de um aumento na tendência de coagulação do sangue e têm propensão maior a acidentes vasculares. A pior coisa para esses indivíduos é ingerir substâncias que agravam essa tendência.
Tanto a tripsina quanto a hemaglutinina e os fitatos são neutralizados totalmente pelo processo de fermentação natural da soja na fabricação de shoyu e missô, e parcialmente durante a fabricação de tofu.
Os fitatos, ou ácido fítico, são substâncias presentes não apenas na soja, mas também em todas as sementes, que bloqueiam a absorção de uma série de substâncias essenciais ao organismo, como cálcio (osteoporose), ferro (anemia), magnésio (dor crônica) e zinco (inteligência).
Você não sabia de nada disso?
Mas a ciência já sabe, estuda esse fenômeno extensamente e não tem dúvidas a respeito.
Já comprovou esse fato em estudos realizados em países subdesenvolvidos cuja dieta é baseada largamente em grãos (Van-Rensburg et al. Nutritional status of African populations predisposed to esophageal cancer. Nutr Cancer, v. 4, p. 206-216; Moser, P. B. et al. Copper, iron, zinc and selenium dietary intake and status of Nepalese lactating women and their breast-fed infants. Am J. Clin Nutr, v. 47, p. 729-734; Harland, B. F. et al. Nutritional status and phytate zinc and phytate x calcium zinc dietary molar ratios of lacto-ovo-vegetarian. Trappist monks 10 years later. J. Am Diet Assoc., v. 88, p. 1562-1566).
Claro que a divulgação desse conhecimento não é do interesse de toda uma indústria multibilionária da soja.
A soja contém mais fitato que qualquer outro grão ou cereal (El tiney ah proximate composition and mineral and phytate contents of legumes grown in Sudan. Journal of Food Composition and Analysis, v. 2, 1989, p. 67-78).
Nos demais cereais e grãos (arroz integral, feijão, trigo, cevada, aveia, centeio, etc.), é possível reduzir bastante e neutralizar em grande parte o conteúdo de fitatos com cuidados simples, como deixá-los de molho por várias horas e, em seguida, submeter a um cozimento lento e prolongado (Ologhobo, A.D. et al. Distribution of phosphorus and phytate in some Nigerian varieties of legumes and some effects of processing. J Food Sci, v. 49, n. 1, p. 199-201).
Já os fitatos da soja não são reduzidos por essas técnicas simples, requerendo para isso um processo bem longo (muitos meses, no mínimo) de fermentação. O tofu, que passa por um processo de precipitação, não tem os seus fitatos totalmente neutralizados.
O interessante é que, se produtos como o tofu forem consumidos com carne, ocorre uma redução dos efeitos inibidores dos fitatos (Sandstrom, B. et al. Effect of protein level and protein source on zinc absorption in humans. J Nutr, v. 119, n. 1, p. 48-53; Tait, S. et al. The availability of minerals in food, with particular reference to iron. J. R. Soc. Health, v. 103 n. 2, p. 74-77).
Mas geralmente os maiores consumidores de tofu são vegetarianos que pretendem consumi-lo em lugar da carne!

O resultado?
Deficiências nutricionais que podem levar a doenças como dores crônicas e fibromialgia.
O zinco e o magnésio são necessários para o bom funcionamento do cérebro e do sistema nervoso.
O zinco, em particular, está envolvido na produção de colágeno, na fabricação de proteínas e no controle dos níveis de açúcar no sangue, além de ser um componente de várias enzimas essencial para o nosso sistema de defesas.
Os fitatos da soja prejudicam a absorção do zinco mais do que qualquer outra substância (Leviton, Richard. Tofu, tempeh, misso and other soyfoods. The "Food of the Future" - How to Enjoy Its Spectacular Health Benefits, Keats Publishing Inc, New Canaan, CT, 1982, p. 14-15).
Por causa da tradição oriental, a indústria da soja conseguiu inseri-la em um status de "alimento saudável", sem colesterol, e vem desenvolvendo um mercado consumidor cada vez mais vegetariano.

Infelizmente, ouvimos médicos e nutricionistas desinformados, ou melhor, mal informados por publicações pseudocientíficas patrocinadas e divulgadas pela indústria da soja, fornecendo conselhos em programas de TV em rede nacional para consumi-la na forma de leite de soja (até para bebês!), carne de soja, iogurte de soja, farinha de soja, sorvete de soja, queijo de soja, óleo de soja, lecitina de soja, proteína texturizada de soja e os comprimidos de isoflavona de soja.
A divulgação na grande mídia desses produtos como saudáveis tem resultado em uma aceitação cada vez maior deles pela população.
Sabe como se faz leite de soja industrializado?

Primeiro, deixa-se de molho os grãos em uma solução alcalina, de modo a tentar neutralizar ao máximo (mas não totalmente) os inibidores da tripsina.
Depois essa pasta passa por um aquecimento a mais de 100 graus, sob pressão.

Esse processo neutraliza grande parte (mas não a totalidade) dos antinutrientes, mas, em troca, danifica a estrutura das proteínas, tornando-as desnaturadas, de difícil digestão (Wallace, G. M. Studies on the processing and properties of soymilk. J Sci Fd Agric, v. 22, p. 526-535).
Além disso, os fitatos remanescentes são suficientes para impedir a absorção de nutrientes essenciais.
A propósito, aquela tal solução alcalina onde a soja fica de molho é à base de n-hexano, nada mais que um solvente derivado do petróleo, cujos traços ainda podem ser encontrados no produto final, que vai para a sua mesa e que pode gerar o aparecimento de outras substâncias cancerígenas.
Esse n-hexano reduz também a concentração de um aminoácido importante, a cistina (Berk, Z. Technology of production of edible flours and protein products from soybeans. FAO Agricultural Services Bulletin, 97. Organização de Agricultura e Alimentos das Nações Unidas, p. 85, 1992).
Mas os males do leite de soja não param nisso:

1.Beber apenas dois copos de leite de soja por dia pode alterar significativamente o ciclo menstrual da mulher.
2. O leite de soja aumenta a necessidade do corpo pela vitamina B12 e vitamina D.
3. 99% da soja é geneticamente modificada e contém um dos mais graus de contaminação por pesticidas entre os alimentos; o leite de soja herda tudo isso.
4. A soja e produtos derivados dela, como o leite, contêm altos níveis de ácido fítico, que inibe a assimilação do cálcio, magnésio, cobre, ferro e zinco.
5. Os alimentos de soja, como o leite, contêm altos níveis de alumínio tóxico, que afeta negativamente o sistema nervoso e os rins e tem sido associado ao aparecimento da doença de Alzheimer.
6. A soja e seus produtos contêm um composto semelhante à vitamina B12 que não pode ser processado pelo corpo; assim, alimentos de soja podem contribuir para a deficiência de vitamina B12.
7. A soja contém estrogênios vegetais, chamadas fitoestrogênios, que perturbam a função endócrina e levam à infertilidade e câncer de mama em mulheres.
8. Os antinutrientes da soja são muito nocivos à tireoide.
Quem já tem problemas nessa glândula deve riscar a soja do cardápio.
E como se fabrica a proteína de soja, também chamada de "carne de soja"?
Em primeiro lugar, retira-se da soja moída o seu óleo e o seu carboidrato usando solventes químicos e alta temperatura. Em seguida, mistura-se uma solução alcalina para separar as fibras.

Logo após, submete-se a um processo de precipitação e separação utilizando um banho ácido.
Por último, vem um processo de neutralização com uma solução alcalina.
Segue-se a uma secagem a altas temperaturas e à redução do produto a um pó.
Esse produto, altamente manipulado, tem seu valor nutricional totalmente comprometido.
As vitaminas se vão, mas os inibidores da tripsina permanecem firmes e fortes (Rackis, J. J. et al. The USDA trypsin inhibitor study. I. Background, objectives and procedural details. Qual Plant Foods Hum Nutr, v. 35, p. 232).
Não existe nenhuma lei no mundo que obrigue os alimentos à base de soja a exibir nos rótulos a quantidade de inibidores da tripsina.

Também não existe nenhuma lei padronizando as quantidades máximas desse produto. Que conveniente!
A proteína texturizada de soja (proteína texturizada vegetal, carne de soja) tem ainda como agravante a adição de glutamato monossódico, no intuito de neutralizar o sabor do grão e criar um sabor de carne.
Alguns pesquisadores acreditam que o grande aumento das taxas de câncer de pâncreas e fígado na África se deve à introdução de produtos de soja naquela região (Katz, S. H. Food and biocultural evolution a model for the investigation of modern nutritional problems. Nutritional Anthropology, Alan R. Liss Inc., 1987 p. 50).

Soja transgênica

É outro ponto negativo da soja.
Infelizmente, a soja produzida no Brasil hoje é quase toda modificada geneticamente.

Dica

Quando consumir soja, utilize apenas os derivados altamente fermentados, como o missô e o shoyu.
Mesmo assim, muita atenção para os rótulos.
Compre apenas se neles estiver escrito "fermentação natural" e se NÃO contiverem produtos como glutamato monossódico e outros ingredientes artificiais.

Quando consumir tofu (você deve fazer isso raramente), certifique-se de lavá-lo com água corrente, pois grande quantidade dos antinutrientes ficam no seu soro.
Consulte sempre seu médico: http://www.curapelanatureza.com.br/post/02/2017/dizem-que-e-saudavel-mas-esta-bebida-destroi-tireoide-e-causa-deficiencia-de-vitamina-d

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sexta-feira, 14 de abril de 2017

Chique é tratar bem os outros

As marcas traduzem-se em status, e há ícones essenciais que revelam quem são as pessoas, mesmo que nunca se tenha falado com elas: os óculos, as roupas, os sapatos, a bolsa, o relógio, o celular… Tratam-se de categorias de objetos que funcionam como uma apresentação e permitem posicionar a pessoa na escala social. É a clara definição do “quem tem o quê” porque isso revela “quem tem quanto”.
É difícil fugir desse padrão de comportamento — por muito que se deseje ou tente — e, em certos meios sociais, é quase impossível. Tornou-se um paradigma que permite reconhecer os outros pelo seu poder aquisitivo, pelo seu status social, bem ao modo materialista do mundo moderno.
Mas, na verdade, trata-se de uma falsa questão, porque o dinheiro, as marcas, as roupas e os objetos, são insuficientes para revelar quem são as pessoas. O que as separa — realmente — é a discrição, a educação, a generosidade e a distinção. E estes traços dividem, ainda que grosseiramente, as pessoas em dois grupos: os deselegantes, que se esforçam por aparecer a qualquer preço, e os elegantes, que primam pela discrição.
Os primeiros, os deselegantes, expõem a sua privacidade, invadem a esfera pública com as suas emoções exageradas e sentem necessidade constante de mostrar as etiquetas das suas roupas. Gostam de contar o que têm e falar do que compraram ou vão comprar. Citam muitas marcas e, com frequência, comentam-nas com a pronúncia errada. Givenchy é difícil para eles. Moschino também. E muitos nem sequer sabem o que é Fendi.
Mas afirmam-se pelas marcas, e o seu comportamento é ditado pelo exagero: falam demais e alto demais, gesticulam demais, mostram demais, abraçam demais, usam roupas demasiado justas ou curtas e decotes demasiado grandes. Neles, tudo é excessivo. E estes são apenas os traços visíveis.
O pior de tudo é o hábito de maltratar os outros — o porteiro, a manicure, o motorista, o empregado da loja, o garçom, ou qualquer pessoa que os sirva ou trabalhe para eles. São mal educados, grosseiros: não dizem obrigado, por favor, bom dia ou com licença. Sobre isto, o escritor Miguel-Angel Martí García afirma que “a forma de falar de uma pessoa diz mais sobre ela do que o seu vestuário”.
Já os elegantes, são de outra cepa: não expõem marcas, não falam das suas joias ou dos seus bens, e acham sempre que menos é mais. A discrição é a sua palavra chave, e neles tudo é comedido, sereno, sem exageros.
Ser elegante é algo que tem a ver com uma atitude: está muito além de ter dinheiro. É, fundamentalmente, ter educação. E o melhor traço dos elegantes é o respeito pelo outro: são generosos, sorriem, são suaves, não insultam e nem maltratam ninguém.
Alguém elegante não se imita – porque não basta ter, tem que ser. Ser educado, ser reservado, ser generoso, ser simples, ser distinto. E ser é algo difícil de conseguir: faz parte de um refinamento adquirido ao longo de anos, e que se entranha na pele, tornando-se tão natural quanto respirar. Ser é uma caraterística que pertence à alma e não ao dinheiro.
Atualmente as pessoas definem-se cada vez mais pelo dinheiro: há os que têm e os que não têm. Esta é uma forma simplista de classificar o mundo pelos padrões de consumo e riqueza. Simplista e, paradoxalmente, pobre.
O que nos define é a forma como tratamos os outros, porque isso diz tudo de nós. Não é o que temos, mas o que sai de nós que revela quem somos.
Texto de Ivone Martins

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segunda-feira, 10 de abril de 2017

Qual é o significado da tristeza?

Na tristeza ficamos tristes.
Quando perdemos alguém.
Quando perdemos.
Quando as coisas não são como queríamos que fossem.
Quando as pessoas não são como queríamos que fossem.
Quando o mundo e a realidade não são o que queríamos que fossem.
Quando não somos o que gostaríamos de ser.
Quando não temos o que gostaríamos de ter.
Porém,
se nos lembrarmos
que as coisas são como são
que as pessoas são como são
que nós, o mundo e a realidade são o que são
e que podemos apreciar o que temos invés de lamentar o que não temos,
começamos a entrar no mundo da não dualidade.
Se houver sabedoria e compaixão perceberemos que a tristeza, mesmo profunda, é passageira.
Perceberemos que se as coisas, as pessoas, o mundo, a realidade e nós mesmos estamos num processo contínuo de transformação
Então poderemos pensar em nos tornarmos essa transformação que queremos no mundo.
Para que haja menos tristeza, mais alegria, mais compartilhamento e harmonia.
O contentamento com a existência é um dos ensinamentos principais de Buda:
“a pessoa que conhece o contentamento é feliz, mesmo dormindo no chão duro; a pessoa que não conhece o contentamento é infeliz mesmo num palácio celestial.”
Então, quando sentimos tristeza, observamos a tristeza.
Como está nossa respiração? Como estão os batimentos cardíacos? Como está a nossa postura?
Que pensamentos são esses que me fazem deixar os ombros cair para frente, baixar a cabeça e, quem sabe, chorar?
Como se formam as lágrimas?
E, mesmo em meio a lágrimas, podemos sorrir e perceber que enquanto vivas criaturas temos esta experiência extraordinária e bela de poder ficar triste.
Tristeza que vem.
Tristeza que vai.
E sem se apegar a coisa alguma e sem sentir aversão a coisa alguma descobrimos o verdadeiro sentido da vida.
É assim que trabalhamos a tristeza.
Zazen – sentar-se em zen e observar a si mesma.
Postura correta, alongamento da coluna vertebral, abrir o diafragma e respirar profundamente. Inspiração mais curta, expiração mais longa. Saboreando o ar. Ombros alinhados e retos, postura de Buda.
Ensinamentos de sabedoria nos auxiliam a sair da toca, do casulo de separatividade que falsamente criamos e de nos lembrarmos que sempre há pessoas e situações piores do que a nossa, sempre há pessoas e situações melhores do que a nossa e nunca, nunca, perder a dignidade.
Tristeza boa é da saudade de alguém que logo poderemos rever.
Tristeza ruim é aquela que náo queremos deixar passar. Aquela na qual nos agarramos, pois nos dá uma identidade, nos torna especiais. Especialmente tristes. Comoventes, Vítimas a serem apiedadas e cuidadas. Ah! Quanta carência.
Abandonar a tristeza é abrir as mãos, o coração, a mente para a emoção seguinte.
É lavar o rosto, olhar para a imensidão do céu, da Terra, do mar e perceber a pequenês da nossa vida.
Sem culpa e sem culpar ninguém.
Sinta a tristeza, reconheça, respire a tristeza e a deixe passar.
Mãos em prece


Por Monja Coen




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sexta-feira, 7 de abril de 2017

Idosos criam repúblicas para envelhecerem entre amigos

Poder envelhecer ao lado dos seus amigos pode tornar essa fase difícil da vida mais prazerosa e é exatamente nisso que a Espanha pensou. Lá já existem 8 condomínios que funcionam como uma república autogerida. No espaço, amigos idosos moram juntos, fazem esportes, e se divertem  sempre na companhia de alguém querido. 
Não é um asilo, é o chamado “cohousing”, moradias criadas e administrada pelos próprios idosos, que decidem entre amigos como e onde querem viver sua aposentadoria.
A amizade de Víctor Gómez e Cruz Roldán tem 46 anos. Conheceram-se em uma excursão na Serra Nevada, na Espanha, com um grupo de caminhada. “Mas era mais do que isso, era um grupo de estilo de vida”, relembra Roldán, hoje com 79 anos. Quando estavam com meio século de vida, perguntaram-se: "por que não nos vemos envelhecer?". Quinze anos depois, moram com suas respectivas esposas em Convivir, uma república autogerida na cidade espanhola de Cuenca. Dezenas de amigos e familiares se entusiasmaram quando os dois casais de amigos propuseram a ideia de viver juntos, e hoje são 87 sócios que se identificam com o lema “dar vida à idade”.


O condomínio conta com todos os serviços de um asilo para idosos tradicional. “Mas não ficamos sentados o dia todo em uma cadeira entre desconhecidos”, explicou um dos amigos. Compartilham tarefas, mantêm-se ativos, mas conservam sua independência.
 A velhice chega mais tarde hoje, mas pensa-se nela desde cedo. Os mais velhos atualmente —especialmente europeus e japoneses— vivem mais e não querem passar a última fase da vida entre desconhecidos ou “ser uma carga para os filhos”. É o que demonstra um estudo de 2015, realizado pelo ministério da Saúde espanhol, no qual mais da metade dos pesquisados acha pouco provável viver em um asilo, enquanto quatro em cada dez veem como alternativa o cohousing. São moradias criadas e administrada pelos próprios idosos, que decidem entre amigos como e onde querem viver sua aposentadoria. Os apartamentos pertencem a uma cooperativa, mas podem ser deixados de herança para os filhos. Na Espanha, há oito projetos construídos e vários em gestação.
Falta pouco para a hora do almoço na Convivir e em uma das muitas salas comuns ouve-se Raffaella Carrà. Um aparelho de rádio e toca-fitas Sony vibra ao sol da música Porque El Amor, enquanto as pessoas dão risada. É uma oficina de risoterapia dirigida por Lourdes Ranera. Aprendeu essa técnica na Índia, ensinou-a por mais de 20 anos em Barcelona, e hoje faz rir todos os dias seus colegas de república. Os que não estão rindo, estão trocando de roupa depois de uma aula de ginástica a cargo de Timoteo, que antes de se aposentar era professor. Outros participam da aula de macramê oferecida por Amelia López, de 88 anos, a mais velha do lugar. A idade média é de 70 anos, mas respira-se um ambiente juvenil. “Vir para cá me rejuvenesceu! É a graça de morar em uma residência quando ainda estamos bem”, conta López. “Isso ajuda a não pensar em quando chegará sua hora ao parar de trabalhar”, acrescenta Roldán.

A idade média é de 70 anos, mas respira-se um ambiente juvenil

Apesar desse tipo de moradia colaborativa estar se consolidando há pouco tempo na Espanha, Rogelio Ruiz, arquiteto da eCohousing, recebeu quase 1.000 pedidos de informação sobre este modelo de república. Sua equipe venceu um concurso de arquitetura com uma das duas residências do tipo construídas em Madri, chamada de Trabensol: “Achávamos muito estranho fazer casas para pessoas que não sabíamos quem eram, nem como queriam morar. Agora tomamos as decisões com eles. Se há alguém que trabalhou com jardinagem, opina nas áreas verdes, e se há uma enfermeira, fala sobre como deve ser a área de saúde”.
Todas as residências de cohousing devem cumprir os requisitos de um ambiente tradicional para idosos: banheiros geriátricos, móveis sem quinas, botões de emergência em todos os quartos, entre outras coisas.
Diferentemente da situação em Convivir, onde todos que querem um apartamento devem ter um conhecido e ser sócios, em Trabensol a oferta é para o público em geral. Entretanto, ainda custa caro viver em uma república para idosos: os valores para associar-se a uma cooperativa de cohousing na Espanha – que não isenta os gastos mensais— vai dos 50.000 aos 140.000 euros (entre 175.000 a 490.000 reais). Esse gasto vai sendo amortizado nas residências que também recebem não sócios. Na Fuente de la Peña, também na espanha, se você for sócio paga 2.080 euros (7.280 reais) por mês por casal, em vez de pagar um “aluguel” de 3.150 euros (11.025 reais). Os custos variam também se o residente quer serviços de limpeza, lavagem de roupas, comida ou só acesso aos serviços de saúde, como enfermaria e fisioterapia.

Todas as residências cumprem os requisitos de um asilo: banheiros geriátricos, móveis sem quinas, botões de emergência em todos os quartos, entre outros

Das experiências espanholas, os defensores concordam que os interessados se aproximam mais dos 50 que dos 70 anos. Nemesio Rasillo, um dos fundadores da residência Brisa del Cantábrico, onde a idade média é de 63 anos, atribui isso a que “os mais idosos passam ao cuidado familiar”. Mas há muitos adultos que ainda não se aposentaram e já têm claro que não querem ser “uma carga para seus filhos”. Nesta residência, uma das normas é poder haver no máximo 15 pessoas nascidas no mesmo ano, para garantir a variedade geracional. Cada cooperativa tem suas regras, mas uma que se repete em relação à questão da dependência é que desde que um residente se soma ao projeto, parte de seu dinheiro vai para um fundo social. “Assim, quando algum dos colegas precisar de uma assistência especial, dividimos entre todos e não será um gasto expressivo”, explica Roldán.
É a hora da siesta em Cuenca, e “o castelo do século XXI”, como o chamam os moradores de Convivir, parece ter parado no tempo. Ninguém circula pelos longos corredores dos dois andares, as raquetes de pingue-pongue descansam sobre a mesa e o salão de beleza está fechado a chave. É o momento de desfrutar do apartamento que cada um decorou a seu gosto. “Em vez de meu filho se tornar independente, eu é que me tornei”, diz em voz baixa Luis de la Fuente, enquanto fecha a porta de seu novo lar.

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segunda-feira, 3 de abril de 2017

O Manjericão é a planta mais mágica que já existiu

Há séculos o manjericão é conhecido e utilizado por diversas culturas, para diversos fins, sejam místicos, religiosos, medicinais ou culinários.
É reverenciado como uma planta imbuída de essência divina e, por este motivo, os indianos costumam jurar sobre um raminho desta planta em seus depoimentos nos tribunais de justiça.
Consta que crescia manjericão ao redor do túmulo de Jesus Cristo, após sua Ressurreição, e por isto nas Igrejas Ortodoxas Gregas benze-se a água com suas folhas e muitos vasos da planta ornamentam os altares.

Poderes Ocultos e Mágicos do Manjericão.

1) Traz riqueza para aqueles que o carregam em seus bolsos e é utilizado em estabelecimentos comerciais (na soleira da porta ou perto do caixa) para trazer fregueses.
2) O manjericão dado como presente traz boa sorte para uma casa nova.
3) Age como pacificador e integrador na família, daí ser chamado de erva da harmonia.
4) Transmuta a energia agressiva, transformando-a em vontade e força para brigar por coisas mais importantes como metas e ideais. Ajuda a brigar pela vida e pelas coisas que nós queremos.
5) É ótimo para os desorganizados e indisciplinados. Ajuda-nos também a ver o brilho e o perfume da vida.
6) Na alimentação, atua como energizante. Por ser muito delicado, deve ser usado na cozinha delicadamente. Coloque-o sempre por último nos alimentos cozidos para que ele não perca os princípios energéticos.
7) É excelente para dar banho em crianças agressivas e que dormem mal.
8) O escalda-pés com manjericão é ótimo para quem está agressivo, com raiva e pronto para explodir. Tira a raiva na hora.
9) O chá de manjericão ajuda pessoas muito contidas a liberarem o amor.
10) Pode também ser colocado em vasos para evitar a entrada de energias negativas dentro de casa.
11) As compressas de manjericão (uma pasta pilada com as folhas) ajuda as mães que ficam com os seios doloridas ou com rachaduras depois da amamentação.
12) Os gargarejos com manjericão são ótimos para dor de garganta, aftas ou mau hálito.
13) Excelente para casos de confusão mental. Pode ser usado ainda como tintura ou vinagre, queimado no aromatizador ou aspergido. Galhos nos vasos funcionam bem.
14) Utilize em banhos de limpeza, saúde, cura e fertilidade.
15) É muito útil para cessar violência, abençoar e acalmar.
16) Protege contra todas as formas do mal e atrai boa sorte.
17) Cultivar manjericão, em um vaso ou em uma horta, traz paz e felicidade para a casa.
18) Esmague uma folha e inale o cheiro: ajuda a clarear a mente e o caminho correto irá se revelar.
19) Para proteção, coma o manjericão nos pratos que preparar com a devida visualização.
20) Outras tradições mágicas associadas à planta são para garantir a fidelidade dos casais, evitar discussões e atrair dinheiro.
Por Nina Greguer

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sexta-feira, 31 de março de 2017

Por que os sensitivos se sentem mal perto de algumas pessoas?

Os sensitivos são seres humanos que possuem sensibilidade emocional aumentada.
Esse conceito foi apontado pela psicóloga Dra. Elaine Aron em 1991, que apontou através de estudos que entre 15% e 20% da população mundial possui esse tipo de sensibilidade mais aflorada porque os seus cérebros processam informações sensoriais de forma diferente e por isso possuem habilidades e expressas de maneira mais intensas que os demais.
Os sensitivos – também chamados de empatas – são portanto mais sensíveis a emoções, comportamentos e energias de pessoas e lugares. A presença de algumas pessoas ou a entrada em lugares específicos podem fazer com que um empata se sinta mal. Entenda mais sobre isso.

A sensibilidade aflorada dos sensitivos e o que isso pode causar

Normalmente, quem é considerado um sensitivo considera isso como uma qualidade, uma habilidade positiva.
São normalmente excelentes ouvintes, pessoas caridosas com muita clareza de pensamento, conhecidos por darem bons conselhos.
Leia mais: 30 traços de uma pessoa SENSITIVA
Mas devido à sua sensibilidade emocional aumentada eles são muito influenciáveis pelo ambiente ou por pessoas, são capazes de detectar energias carregadas que estão impregnadas no lugar, detectam mais facilmente comportamentos falsos e não conseguem lidar com pessoas pretensiosas e/ou mentirosas.

Comportamentos e situações em que um sensitivo se sente mal

Todo mundo pode ser capaz de identificar sinais de falsidade no discurso humano, os empatas possuem maior facilidade devido à sua extrema sensibilidade.
Lidar com alguém hipócrita ou falso pode ser tolerável para pessoas comuns, mesmo que eles saibam dessa característica da pessoa, para os sensitivos, isso é praticamente uma tortura, um desconforto intenso.
Sentem-se cansados, sentem que sua energia foi drenada, sentem-se frustrados, muitas vezes ficam com as mãos úmidas, com o coração disparado e o bocejo é uma reação muito freqüente.

Veja abaixo algumas situações que fazem com que um sensitivo se sinta mal:

•Falsos elogios – eles detectam logo a falsidade e mal conseguem disfarçar a sua decepção
•Pessoas que aumentam suas vitórias para ganhar aprovação e reconhecimentos dos outros
•Pessoas que renunciam à sua personalidade ou tentam ser aquilo que não são para se sentirem por cima
•Falsas delicadezas com intenção de receber algo em troca
•Pessoas que estimulam a inveja e o ressentimento
•Quem age de forma dura e insensível para ocultar dos outros a própria dor ou sensibilidade

Reações comuns dos sensitivos nestas situações

Muitas vezes os sensitivos nem conseguem explicar o porquê de estar se sentindo mal e o que está causando isso nele.
Alguns deles conseguem identificar o foco, mas outros só conseguem pensar em se afastar do ambiente e das pessoas que ali estão, e normalmente ouvem: “O que aconteceu? O que ele(a) te fez de mal?” sem saber explicar exatamente o porquê. Ficam nervosos, tensos e têm dificuldades de formar frases com clareza, o que em situações normais eles têm muita facilidade.
Se o sensitivo precisa estar em um ambiente ou perto de alguém que lhe faz mal, ao se afastar ele se sente enjoado, tonto, podendo inclusive ter ânsia de vômito. Ficam muito calados, sem querer continuar a conversa e muitas vezes, ao se afastar da pessoa ou do ambiente sentem um inexplicável sentimento de culpa.
(Fonte: wemystic.com.br)

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terça-feira, 28 de março de 2017

Veja aqui o que nunca te contaram sobre o caroço do abacate

Todo mundo sabe que o abacate é uma fruta super nutritiva, rica em vitamina E, ácido fólico, fibras, antioxidantes e gorduras do bem. Sua saúde agradecerá se você começar a consumir abacate regularmente. E ao contrário do que muitos pensam, muitos estudos provam que abacate não engorda, e sim ajuda a emagrecer. Mas hoje viemos falar de algo que você provavelmente não sabe, as propriedades benéficas do caroço do abacate.

Caroço do abacate é rico em antioxidantes e reguladores do processo digestivo

Nem imagina o que o caroço desta fruta, que sempre vai parar na lata do lixo, pode fazer pela sua saúde! Conhecido por muito poucos, o segredo é guardar o caroço no frigorífico e depois consumi-lo ralado em diversas receitas.
Mas aí você se pergunta? Por que eu faria isso? Para quê? Então fiquem atentos que aqui vão alguns dos motivos pelos quais você deveria começar a consumir o caroço do abacate:
1. Rico em flavonoides, tem propriedades antitumorais. Em estudos realizados com cobaias, observou-se a diminuição de uma série de tumores devido ao consumo deste ingrediente.
2. Potente regulador do processo de digestão, é muito eficiente no controle de episódios de diarreia.
3. O caroço de abacate contém mais de 70% da quantidade de antioxidantes encontrados na polpa da fruta. Mais um ótimo motivo para você não jogá-la no lixo, certo?
4. O chá preparado a partir do caroço ajuda na hidratação e eliminação de pedras nos rins (cálculo renal).
5. Regula a glicose no sangue, sendo muito benéfico para diabéticos e pessoas com intolerância à glicose.
6. Possui a quantidade de fibras recomendada para um dia inteiro! Se consumido com bastante água ao longo do dia, acabará com a prisão de ventre em poucos dias.
7. O caroço do abacate também tem propriedades termogênicas, turbinando a queima de gordura. Faça um chá com a semente e beba diariamente.
8. Eficiente para o tratamento de furúnculos, basta triturar o caroço, cobrir com uma fralda de pano e aplicar no local, diminuirá muito a inflamação.
Como deve preparar o caroço do abacate para o uso na alimentação:
  1. Utilize uma faca para cortar o abacate ao meio, na longitudinal.
  2. Em seguida, utilize uma colher de sobremesa e retire o caroço.
  3. Guarde o caroço em um saco plástico, fechado, dentro da geladeira.
  4. Quando for usar, retire 10 minutos antes.
  5. Rale no ralador grosso e misture a sucos, vitaminas e shakes.
  6. Também pode salpicar na salada ou acrescentar às sopas e cozidos.
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sábado, 25 de março de 2017

Sem aposentadorias, o que fazer?

Em meio ao impasse das novas regras da aposentadoria a serem implementadas no Brasil,  uma ampla discussão sobre o assunto vem mobilizando brasileiros preocupados com seu futuro. Muitos se perguntam se estarão vivos quando conseguirem a aposentadoria do INSS. O governo quer mudar as regras, resta saber no entanto se haverão empregos para trabalhadores acima de 50, 60 anos em diante. Muitas dúvidas pairam no ar. 
O Jornal espanhol EL País publicou o artigo a seguir sobre a triste situação dos idosos sem aposentadoria em Hong Kong. Espero que nós brasileiros não tenhamos que chegar um dia a esse ponto, uma situação de desamparo tão grande.


Vendedores ilegais durante a noite e coletores de papelão de dia, cerca de 90.000 pessoas como Liu combinam vários trabalhos para poder chegar ao fim do mês. Com o dinheiro que conseguem e as minúsculas ajudas que recebe do Governo, resistem em uma cidade na qual o contraste entre ricos e pobres está em todos os cantos. Mulheres idosas, cujas costas sofridas desenham um ângulo de 90 graus, empurram com suas esgotadas forças carrinhos cheios de material reciclável pelas ruas do coração financeiro da cidade enquanto abrem caminho entre os executivos e os arranha-céus.
“Em Hong Kong, 85% dos mais velhos não têm nenhum tipo de aposentadoria”, diz Ng Wai-tung, trabalhador da ONG Sociedade para a Organização da Comunidade (SOCO). Desde 2000, a cidade tem um sistema de contribuição obrigatório, mas de gestão privada – conhecido como MPF –, de modo que as pessoas com mais de 70 anos não gozam de qualquer plano desse tipo. “Não acho que o MPF seja útil”, diz Ng.
O Professor universitário Nelson Chow Wing-sun tem a mesma opinião, considerando esse programa “ridículo pela pobre renda gerada”. O costume de que sejam os filhos que cuidem dos pais idosos está profundamente enraizado na sociedade chinesa. No entanto, cada vez é maior o número dos que, levados pelo ritmo frenético da vida imposta pela cidade, deixam de lado os pais que, orgulhosos e teimosos, procuram sua maneira de sobreviver.







“O dinheiro do Governo não é suficiente, mas não peço mais. Claro que, se um dia não puder mais trabalhar, quero que as autoridades me ajudem”, diz a senhora Chan, 79 anos, de seu posto ilegal onde vende e vive no coração de Sham Shui Po. Em uma velha cadeira de plástico, esta mulher com cabelos lisos e grisalhos e uma curva acentuada nas costas explica que suas três filhas ofereceram suas casas para dormir, mas não compensava. “Estou muito velha e agora não faz nenhum sentido mudar. Demoro duas horas para chegar na casa delas e ainda tenho que empurrar o carrinho. Hoje vivo aqui e posso morrer amanhã”.
“Se você só quer receber, é um vagabundo. É um estigma social muito negativo”, diz Ng. Assim, às 5h30, a Sra. Chan vai até a porta de alguns dos McDonalds e lojas abertas 24 horas que estão por toda a cidade para recolher papelão e papel. Como se fosse um trabalho regulado, às terças, quintas e sábados vende o material coletado, mas não sem antes ter umedecido para ganhar no peso. O resto do tempo é gasto coletando objetos que já de noite vende a outras pessoas que tampouco gozam de uma situação tranquila.
Entrar em um edifício com guardas de segurança que rondam os setenta anos – embora com rostos que fazem com que pareçam nonagenários – e se apoiam cochilando no balcão é parte do dia a dia de uma cidade que prioriza megaprojetos e investe uma quantidade mínima na criação de um sistema para proteger sua população no futuro. Em 2050 espera-se que 42% dos habitantes desta metrópole tenha mais de 65 anos, que vai transformá-la na cidade asiática com a população mais velha, um desafio que o Governo da cidade não consegue enfrentar.




Além disso, de acordo com uma pesquisa online da Fidelity Worldwide Investment 2013, em Hong Kong um em cada cinco trabalhadores com idade entre 30 e 40 anos tampouco tem um plano de aposentadoria. Esta situação, junto com a falta de ação do Governo, provavelmente vai deixar as futuras gerações na mesma situação que a de Fok Mei-sung, uma mulher de 66 anos vinda da China continental que trabalhou durante anos como limpadora para uma empresa do Governo e recolhia papelão e vendia no mercado ilegal. Agora, depois de 15 anos de trabalho a cerca de 12 reais por hora, o MPF total que recebeu foi menor que 30.000 dólares de Hong Kong (cerca de 13.700 reais).

Desde o ano passado, a senhora Fok não pode mais trabalhar por causa de um problema no joelho depois de anos de esforço carregando pesos de um lado para o outro. Agora, os 2.285 dólares de Hong Kong por mês (cerca de 1.041 reais), que recebe do governo por ter mais de 65 anos, não chega para cobrir todas as despesas. Como se não bastasse, os filhos com os quais vive não ganham o suficiente. No entanto, ela está feliz. “Eu me sinto bem porque meus filhos e minhas noras me apoiam e posso cuidar da minha neta. O que me preocupa é a minha saúde e como ela vai evoluir”, diz consciente de que se um dia ela faltar, sua família não poderá pagar o aluguel dos dez metros quadrados em que vivem todos juntos.
Fonte: http://brasil.elpais.com/brasil/2016/04/08/internacional/1460110447_744683.html

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