quarta-feira, 22 de março de 2017

Vila dos Idosos no bairro do Pari em São Paulo é modelo de locação social

A Vila dos Idosos, que fica no bairro do Pari, na Zona central, da Capital, com mais de 8 mil m² de área construída, é o primeiro projeto de locação social voltada para os idosos, bancado pela Prefeitura de São Paulo.

Resultado de 12 anos de luta de idosos, profissionais e entidades que trabalham em prol da moradia, ela foi inaugurada no dia 19 de agosto de 2007.

Na quarta-feira passada, dia 6 de abril, a Vila dos idosos recepcionou os profissionais da Defensoria Pública de São Paulo, da Secretaria Municipal de Habitação, da Prefeitura de São Paulo e da COHAB- Companhia Metropolitana de Habitação, que lá estiveram para fazer uma audiência pública.

O encontro com o tema “A locação social como forma de efetivação do direito à moradia” fez parte da programação da Defensoria Pública de São Paulo, na Semana Nacional de Defesa do Direito à Moradia.

Vila dos Idosos, no bairro do Pari, na Zona Centro, da Capital, em São Paulo.
Vila dos Idosos, no bairro do Pari, na Zona Centro, da Capital, em São Paulo. Foto: Jornal da 3ª Idade

Jornal da 3ª Idade conversou sobre o funcionamento da Vila dos Idosos com uma das mais importantes lideranças do movimento de moradia da capital, que lutou pela construção da Vila dos Idosos e é sua moradora desde a inauguração.

Neide Duque Silva, aposentada, que trabalhou durante muitos anos nos bastidores da Cultura e das Artes, é conselheira municipal do GCMI- Grande Conselho Municipal do Idoso de São Paulo e membro do GARMIC- Grupo de Articulação para Moradia de Idosos da Capital.

Jornal da 3ª Idade– A senhora é moradora da Vila dos Idosos desde quando?

Aposentada Neide Duque Silva– Eu estou aqui desde a inauguração, em agosto de 2007, quando finalmente conseguimos começar de fato esse projeto de locação social, que hoje é um modelo para todo o Brasil

Jornal da 3ª Idade– Quantas pessoas moram na Vila dos Idosos?

Aposentada Neide Duque Silva– Nós somos atualmente 175 moradores, que habitam 145 unidades, sendo 55 apartamentos de 1 quarto, sala, cozinha e banheiro e 90 quitinetes.

Jornal da 3ª Idade– Como é feita a ocupação desses imóveis? Qualquer pessoa interessada pode se candidatar a uma vaga?

Aposentada Neide Duque Silva-Os interessados têm que procurar se inscrever através da COHAB. Existe uma lista que é feita e acompanhada pelo GARMIC, que é uma organização de idosos voltada especificamente para a luta por moradia. Nós desenvolvemos trabalhos com idosos com o objetivo de buscar junto ao poder público e as instituições da sociedade civil a criação de políticas públicas de habitação para a população idosa de baixa renda, na cidade de São Paulo.

Jornal da 3ª Idade– Quais são as principais exigências?

Aposentada Neide Duque Silva– A Vila dos Idosos é voltada exclusivamente para pessoas com mais de 60 anos, que tenha uma renda comprovada de até três salários mínimos. As pessoas pagam aluguel e condomínio, ainda que subsidiado, muito menores que os valores de mercado, mas que são compromissos que não podem ser abandonados, como em qualquer condomínio.

Jornal da 3ª Idade– Quanto custa morar na Vila dos Idosos?

Aposentada Neide Duque Silva– A pessoa idosa paga 10% do seu rendimento. Se ela ganha um salário mínimo, que hoje é de R$880,00 ela vai pagar R$88,00. E isso vale para todos, até três salários mínimos. O condomínio é R$35,00. Na locação social não é o valor do imóvel no mercado o mais importante. É o valor da aposentadoria do idoso e as suas necessidades nessa fase da vida, depois de ter contribuído por muitos anos com seus impostos e o seu trabalho.

Jornal da 3ª Idade– Se a pessoa idosa não tiver renda não poderá participar?

Aposentada Neide Duque Silva– A Vila dos Idosos não é um asilo nem uma casa de repouso é um projeto de locação social.

Jornal da 3ª Idade– Como é feito o contrato com os idosos?

Aposentada Neide Duque Silva– Nós assinamos um contrato com a proprietária do imóvel, que é a Prefeitura de São Paulo. Esse contrato deve ser renovado a cada quatro anos.

Jornal da 3ª Idade– Quando ocorre o falecimento de um morador, a família tem algum direito sobre o imóvel? Como a vaga é preenchida.

Aposentada Neide Duque Silva– Nosso direito é de usufruto. O idoso mora a vida inteira, mas não é propriedade de ninguém. Assim após um falecimento é aberta uma nova vaga para quem está na fila de espera. No caso de apartamento de ocupação dupla, fica garantida a continuidade de quem já compartilhava.

Jornal da 3ª Idade– A audiência pública realizada no salão de festa da Vila dos Idosos foi útil para os moradores?

Aposentada Neide Duque Silva– Acredito que foi muito importante não só para os moradores, como para todos os idosos convidados que participaram. Nem todo mundo sabe exatamente o que é uma locação social e mesmo entre os moradores existem dúvidas. Então o debate foi produtivo. Apesar de todo o valor subsidiado, muitos idosos ainda questionavam porque, por exemplo pagar o condomínio. Foi explicado que os valores arrecadados cobrem despesas com parte da manutenção e serviços. Nós temos 4 seguranças, dois durante o dia e dois durante a noite. Como todo condomínio tem problemas e é importante que os técnicos responsáveis pelo projeto possam acompanhar. 

Fonte:http://www.jornal3idade.com.br/?p=6937


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domingo, 19 de março de 2017

Vem apresentando perda de memória? Confira 4 exercícios que podem lhe ajudar a evitar esse sintoma!

A menopausa é, sem dúvida, um período de muitas mudanças. As mulheres que estão vivenciando esse período acabam se sentindo assoberbadas pelas inúmeras alterações do seu corpo. Contudo, o que acaba tendo um impacto maior em suas vidas são as alterações emocionais.
perda de memória é um dos sintomas que acaba tendo um impacto psicológico significativo, mesmo não se tratando de um indício direto de envelhecimento efetivo. A verdade é que a perda de memória durante a menopausa está fortemente relacionada com o desequilíbrio hormonal próprio dessa fase e existem formas de minimizar o problema. O importante é manter a cabeça fria e não entrar em pânico!  

Os estudos sugerem que o grande vilão da perda de memória em mulheres menopáusicas é o estrogênio.

Esse hormônio, para além do seu papel primordial no ciclo menstrual, tem também uma forte influência em diversas funções cerebrais.
A atividade do hipocampo (estrutura do cérebro responsável por processos de memória) é fortemente influenciada pela oscilação da produção de estrogênio. Dessa forma, o acesso a lembranças sobre eventos e acontecimentos diversos acaba ficando comprometido.
Não é de se estranhar que mulheres em menopausa e que, portanto, têm níveis de estrogênio alterados, apresentem dificuldades de memorização.
Apesar de tudo isso, as notícias não poderiam ser melhores: os efeitos de perda de memória mais acentuados ocorrem durante o climatério e primeiro ano de menopausa. Depois dessa fase de transição, o organismo consegue equilibrar os níveis hormonais e a atividade do hipocampo é também estabilizada.  
Contudo, não há necessidade de sofrer durante a fase mais acentuada de perda de memória. É fundamental manter uma alimentação equilibrada e atividades que promovam bem-estar físico e emocional. Além disso, existem exercícios que podem ajudá-la a minimizar ou mesmo evitar esse sintoma. Confira algumas práticas que favorecem a exercitação do cérebro e que irão ajudá-la a ter uma vida mais leve e feliz.
 Promova os seus próprios hábitos de leitura
 É sobejamente conhecido que hábitos de leitura promovem momentos de relaxamento e paz ímpares. A leitura estimula a imaginação, o pensamento lógico e a criatividade.
Reservar um momento específico do seu dia para ler, preferencialmente à noite, vai combater a temida perda de memória da menopausa. Além disso, a escolha de livros que promovam o seu equilíbrio emocional e que a conduzam a momentos de quietude, pode ter um papel fundamental no seu balanceamento psicológico.
 Inicie um novo projeto na sua vida
 Não é necessário que o empreendimento seja megalómano, nem tampouco que demande forças sobre-humanas. O essencial é que seja um projeto que envolva planejamento, estrutura e ordem, como por exemplo a decoração de uma divisão da casa que esteja precisando de reforma ou uma reestruturação do jardim.
Quando você faz planos que impliquem uma melhoria para a sua qualidade de vida, você está estimulando o seu cérebro a construir algo novo. Esse sentimento de movimento e mudança produzirá resultados surpreendentes.
 Faça um curso que sempre sonhou fazer
 Não é necessário que você se torne a nova Frida Kahlo, mas se a pintura sempre foi uma paixão, por que não aprofundar a técnica e acessar a sua criatividade adormecida? Nunca é tarde para aprender e você pode se admirar com os seus talentos escondidos. Nesse processo, a sua atividade mental acaba sendo estimulada a par com o crescimento da sua autoconfiança.
 Invista algum tempo em jogos de lógica e estratégia
Esse é um clássico para quem quer minimizar o efeito da perda de memória: jogo de lógica e estratégia. Xadrez, damas, palavras-cruzadas ou quebra-cabeças: as opções são várias.
Escolha as alternativas que você mais gosta e continue praticando sempre.
Evitar ou minimizar os sintomas da menopausa é possível! Não deixe de procurar um médico que possa ajudá-lo a estabelecer um plano para essa fase da vida.
Questione-o sobre suplementação alimentar, que em conjunto com um regime equilibrado, pode auxiliar a manutenção do seu equilíbrio. Invista em você, hoje e sempre!
Fonte: http://herborisa.com.br/blog/vem-apresentando-perda-de-memoria-confira-4-exercicios-que-podem-lhe-ajudar-evitar-esse-sintoma/

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sexta-feira, 17 de março de 2017

Você pode engravidar aos 50! Veja como ter uma gestação saudável na meia idade

Algo que é mais comum do que se imagina é o aparecimento da gravidez aos 50 anos, quando muitas mulheres já estão começando a planejar suas vidas como avós. Isso acontece demais porque muitas delas acabam achando que estão já no climatério, mas na verdade está apenas na fase intermitente da menstruação. Com isso acabam se descuidando com os métodos contraceptivos e então, a surpresa aparece. Ou, em muitos casos, há mesmo o interesse em se ter um filho com essa idade, sendo algo de fato planejado.
Mas com o avanço da idade, já quase no fim da fase fértil da vida, é possível ter uma gestação saudável na meia idade?

É possível ter uma gestação saudável na meia idade?

A resposta é: sim! É possível sim ter uma gestação saudável na meia idade. A medicina avançou bastante a ponto de garantir a saúde tanto da grávida quanto do bebê durante toda a gestação. Diversas famosas passaram por essa situação, como Deborah Bloch e Solange Couto engravidaram depois dos 50 e tiveram um período saudável de gestação.
É lógico que, por ser um organismo que já está se preparando para justamente parar de gerar filhos, é preciso tomar uma série de cuidados para evitar complicações que possam levar até mesmo a interrupção da gravidez e problemas de saúde para a mulher.

Riscos que podem ocorrer

Em primeiro lugar, há um risco bem maior de aborto espontâneo na gravidez tardia. Isso porque o organismo já não está mais tão apto a lidar com uma gestação com o mesmo vigor de antes. Um dos problemas que a meia idade gera é a atrofia do útero, e que pode levar a uma restrição do crescimento intrauterino do bebê, fazendo com que ele não se desenvolva tão bem quanto poderia na barriga da mãe.
Outro problema é que há um risco maior de diabetes gestacional e hipertensão – muito porque muitas mulheres, nesta idade, já possuem ambas as doenças de antemão, e que são complicadoras numa gestação, tanto em relação ao bebê quanto em relação a mãe.
Tanto a pele quanto a musculatura do abdômen são mais frágeis, menos elásticas, o que acaba também sendo um complicador, já que o crescimento do bebê e a saúde da mãe dependem desses dois fatores.
Há também uma maior predisposição que haja alterações genéticas no bebê, com maior incidência de Síndrome de Down nestes casos.
Como muitos desses riscos são graves, é preciso tomar uma série de cuidados para evitá-los, tais como:

Cuidados que devem ser tomados

Para que você e o bebê possam ter a sua saúde garantida, sigam os seguintes cuidados:
  • Faça todo o pré-natal certinho, seguindo as recomendações do seu médico.
  • E, principalmente, escolha um profissional de confiança para acompanhar essa gravidez.
  • Caso seja planejado, avise ao seu ginecologista/obstetra as possíveis doenças que você tenha, como diabetes, pressão alta, problemas cardíacos, problemas de circulação, entre outros que possam causar complicações na sua gravidez.
  • Caso tenha essas doenças e esteja planejando a gravidez, tente mantê-las controladas, principalmente com atividades físicas para ter uma gestação saudável na meia idade.
  • Siga as recomendações médicas a risca. Se for pedido para manter repouso absoluto, não arrisque pontualmente. Lembre-se que é a sua saúde e a do bebê que está em jogo.
  • Se a gravidez é planejada, pratique exercícios de fortalecimento do abdômen para evitar flacidez na pele e enfraquecimento dos músculos da região.
Seja surpresa ou planejado, entenda que é possível sim ter uma gestação saudável na meia idade. Basta que você esteja ciente dos riscos e mantenha os cuidados prescritos por um médico de confiança.
Fonte: http://herborisa.com.br/blog/gestacao-saudavel-na-meia-idade/


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terça-feira, 14 de março de 2017

Menopausa e acupuntura. Saiba como essas agulhas mágicas pode mudar sua vida após os cinquenta anos

Para as mulheres, as quais, buscam desesperadamente por uma solução para os sintomas mais intensos do climatério, temos uma boa notícia. Foi encontrada por vários estudos internacionais uma importante ligação entre menopausa e acupuntura
Sabia que esse tipo de tratamento pode ajudar a diminuir a força de vários dos sintomas desse momento da nossa vida?
Vamos descobrir como essa prática chinesa pode ajudar a mudar a sua vida!

Menopausa e acupuntura – Quais os benefícios?

Muitos estudos já conseguiram comprovar que o tratamento dos sintomas mais negativos da menopausa realizados através da acupuntura pode ser muito benéfico para a mulher, ajudando a substituir soluções farmacológicas (que podem ser até mesmo danosas para o corpo).
Dentre os principais benefícios do uso da acupuntura durante a menopausa estão o combate às dores de cabeça, enxaquecas e dores nas costas. Porém, o principal sintoma que é combatido são os fogachos que atacam o corpo durante esse período.
Um estudo norte-americano conseguiu comprovar de vez que o uso da acupuntura pode diminuir não só a intensidade das ondas de calor, mas também a sua frequência. Para saber mais sobre o estudo, continue lendo.

Como esse estudo foi feito?

Esse estudo da North American Menopause Society (NAMS) é um dos mais importantes para evidenciar a ligação entre a menopausa e acupuntura.
Para poder estudar a ligação da acupuntura com a menopausa, o estudo selecionou 869 mulheres com idades que variavam entre os 40 e os 60 anos, todas em diferentes estágios de menopausa e todas com episódios de ondas de calor.
Todas essas mulheres foram submetidas à diferentes técnicas de acupuntura, desde a Acupuntura Tradicional Chinesa até a Acupressão, passando pela Eletroacupuntura, Laser Acupuntura e Acupuntura Auricular.
Os resultados do estudo foram surpreendentes: percebeu-se que as mulheres submetidas à acupuntura registraram uma incrível redução tanto na gravidade como na frequência das ondas de calor – diminuição essa durável por até 3 meses após o fim do tratamento.
A Dra. Margery Gass, diretora executiva da NAMS, afirmou após o estudo que “a acupuntura pode ser uma alternativa eficiente para combater as ondas de calor“, ressaltando ainda que se tratava de uma solução “especialmente recomendada para mulheres que buscam por terapias não-farmacológicas“.

Por que a acupuntura pode ajudar na menopausa?

A razão para o benefício da ligação entre menopausa e acupuntura ainda está sendo estudada, claro. Segundo algumas teorias, a acupuntura pode ser útil no combate às ondas de calor (conhecidas como fogachos) que passam pelos corpos das mulheres na menopausa e climatério porque a acupuntura pode ajudar a controlar as endorfinas na parte do cérebro que afeta a parte do nosso sistema nervoso responsável pelo controle de temperatura do nosso corpo.
Além disso, a pressão aplicada pela acupuntura em pontos bem específicos do nosso corpo pode ajudar a equilibrar a produção de hormônios em vários dos nossos órgãos, como os ovários, glândulas pituitárias, tireoide, útero e também na paratireoide.
Assim, a acupuntura pode reequilibrar o que chamamos de “sistema hormonal “do nosso corpo, ao estimular pontos primordiais como as mãos e pés.
Essa estimulação causada pela acupuntura ajuda a combater não só as ondas de calor da menopausa, mas também outros sintomas como dores nas costas e de cabeça, além de períodos de desânimo.
Fonte: http://herborisa.com.br/blog/menopausa-e-acupuntura/


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domingo, 12 de março de 2017

A mestra da agricultura orgânica ganha uma biografia

Sob a discrição de dona Ana Maria Primavesi, de 95 anos, esconde-se um manancial de histórias que dificilmente vêm à tona, a não ser praticamente entre familiares. Várias delas lembranças de perdas e muita dor, como as da 2.ª Guerra Mundial e, já no Brasil, a morte precoce do filho mais novo. Mas a geógrafa e professora Virgínia Mendonça Knabben insistiu. Foi chegando de mansinho, aproximou-se da família Primavesi, e por fim alcançou, mais do que a mente de dona Ana, também seu coração e a alma.
A convivência praticamente semanal na ampla casa do Campo Belo, bairro da zona sul paulistana, onde vivem os Primavesi, e as tardes passadas em longas conversas com a “esfinge” Ana acabaram permitindo a Virgínia explorar arquivos, livros, fotos, pesquisas, e anotações há muito guardadas, desde a época em que Ana resolveu deixar o mundo acadêmico na Universidade de Santa Maria, no Rio Grande do Sul, e se fixar em seu sítio, em Itaí, interior de São Paulo, há cerca de três décadas.
O “decifra-me ou te devoro” foi finalmente desvendado quando Virgínia deparou-se com um diário no meio de toda aquela papelada, escrito em alemão. Com o caderno, que passou a ser lido, traduzido e revivido por Ana Primavesi naquelas tardes no Campo Belo, várias das lacunas da trajetória dessa engenheira agrônoma apaixonada por solos – mais ainda, pela vida que os solos contêm – puderam ser preenchidas.
E Virgínia, exultante, convenceu-se de que finalmente tinha em mãos elementos suficientes para uma biografia. A biografia da doutora Ana Primavesi – sem exageros, a precursora da agroecologia no Brasil.
Esta agrônoma formada na Universidade Agrícola de Viena, na Áustria, e com doutorado em Cultura de Solos e Nutrição Vegetal e vários livros e trabalhos acadêmicos – muitos em parceria com o marido, já falecido, Artur Primavesi -, é a responsável por lançar as bases científicas do cultivo orgânico nos trópicos. Se hoje a agricultura orgânica renasce como alternativa efetivamente viável para alimentar a população mundial, aliando à produção de alimentos a conservação dos solos, é principalmente nos estudos de Ana Primavesi que ela se debruça.
Nos meios agroecológicos, costuma-se falar que o trabalho dessa engenheira agrônoma representa não uma volta ao passado, quando todos os cultivos eram orgânicos, mas uma sinalização para o futuro, de como a agricultura atual, numa encruzilhada, com o esgotamento da sua capacidade produtiva sob vários aspectos, deve reaprender a trabalhar. Para começar, reciclando nutrientes que o próprio solo oferece, de graça.
A biografia, recém-lançada
No livro “Ana Maria Primavesi – Histórias de Vida e Agroecologia”, que a editora Expressão Popular acaba de lançar, Virgínia Knabben resgata desde a infância de Ana, num castelo na Áustria, onde sua família praticava agricultura e pecuária orgânicas (pois naquela época, antes que a Revolução Verde viesse com seus pacotes prontos para a natureza, com sementes, adubos químicos e agrotóxicos, 100% da agricultura no mundo era orgânica), até seus estudos com o farmacêutico apaixonado por botânica e química, professor F. Görbing.
Como um “vidente”, este mestre relacionava as condições das lavouras à nutrição da terra. A partir desses ensinamentos, começou a se formar uma agrônoma especializada em desvendar os segredos do solo – dos quais todos os seres viventes dependem, Ana não se cansa de reafirmar. Abaixo, o relato de como tudo começou para Annemarie, seu nome europeu, que mais tarde, no Brasil, verteu para Ana Maria:
“Görbing passava pelos campos a cavalo. Mais adiante, desceu, cavocou a terra grudenta, e puxou a raiz deformada, que recebeu seu diagnóstico. Montou novamente e seguiu, Annemarie atrás, extasiada. Mais adiante, ele disse: ‘Aqui vocês colheram apenas 1.600 quilos de cereal porque se esqueceram do fósforo’. Todos o olhavam, surpresos. De onde ele tirava isso? Como? ‘Görbing é meio vidente’, comentavam. (…) Annemarie sorria. Ela tinha entendido completamente como ele tinha feito aquilo, mas não disse nada. Não é um disparate, pensou consigo. Os campos têm culturas homogêneas com colmos fortes que são embalados pelo vento. As batatas são grandes e lisas, bem diferentes das ásperas e doentes de antigamente. Não eram variedades diferentes. O solo era diferente! Como um milagre, a natureza pertencia ao homem e o homem a ela, mas Görbing era maior do que todos os outros, porque conhecia as suas leis. Annemarie começava a compreender muitas coisas, inclusive as incompreensíveis, porque agora ela tinha o caminho.”
Além do “mago” Görbing, também o professor e químico F. Sekera, que estudou a composição dos solos em laboratório – chegando às mesmas conclusões aparentemente empíricas de Görbing – foi fundamental para que Ana Primavesi tomasse consciência da importância do solo e principalmente de sua conservação para a sobrevivência do próprio planeta.
Eis mais um trecho que Virgínia resgatou do diário de Ana e que dá a dimensão da importância dos solos: “O maior bem que os homens já deixaram a seus herdeiros foi o de J. Görbing e F. Sekera. Não é em dinheiro mas sim em sabedoria profunda quanto às verdadeiras razões da decadência dos nossos solos, do ressecamento do globo terrestre, dos surtos de fome, das inundações e estiagens, finalmente de catástrofes naturais e miséria. Sua sabedoria eles não levaram para o túmulo. Deram-na para nós – os seus herdeiros: deram para o mundo inteiro o meio de saber como remediar isso tudo, como recuperar as terras, evitar todas as catástrofes e desesperos, a decadência dos povos e o seu desaparecimento. E este meio é tão simples, tão inacreditavelmente simples, que hoje não podemos compreender como ninguém antes teve tal ideia”.
Além dos estudos e da vida acadêmica de Ana Primavesi, Virgínia resgata em seu livro tempos dolorosos, como a Segunda Guerra Mundial, quando Ana perdeu dois jovens irmãos e também o período passado em um campo de concentração na Alemanha. Quando enfim foi solta, disseram-lhe que aquilo fora um “engano”. O encontro com sua alma gêmea, o também austríaco Artur Primavesi, na Europa, seus desencontros no período conturbado da guerra, até que finalmente casassem e decidissem zarpar para o Brasil, em 1948, também são detalhes descritos no livro que nem mesmo pessoas que há anos conviviam com Ana Primavesi sabiam.
Como dito no início, Virgínia insistiu. E, seis anos depois de se comprometer a desvendar a trajetória desta pessoa tão fundamental para a agricultura orgânica no mundo, nos entrega este presente, a biografia de dona Ana Maria Baronesa Primavesi. Que tal começar a ler ainda hoje, que é Dia Mundial dos Solos?
Por Tânia Rabelo
Para adquirir o livro, entre em contato com a editora Expressão Popular. Para falar com Virgínia, seu e-mail é viknabben@uol.com.br


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sexta-feira, 10 de março de 2017

Papa alerta para o surgimento de novos hitlers

Em meio à onda populista que se alastra pela Europa e pelos Estados Unidos, o Papa Francisco afirmou que um dos grandes perigos da atualidade é procurar “salvadores”, assim como ocorreu com Adolf Hitler na década de 30.
A declaração foi dada durante longa entrevista ao jornal espanhol El País e provocou reações imediatas na Itália. Perguntado sobre a ausência de lideranças sólidas em função da crise e do aumento da desigualdade, o pontífice disse que o exemplo mais típico do populismo europeu é a Alemanha.
“Destroçada, a Alemanha busca se levantar, busca sua identidade, busca um líder, alguém que devolva sua identidade, e há um rapazinho que se chama Adolf Hitler e diz: ‘eu posso, eu posso’. E a Alemanha inteira vota em Hitler. Hitler não roubou o poder, foi votado por seu povo e depois destruiu seu povo. Esse é o perigo. Em momentos de crise, o discernimento não funciona”, declarou.
O papa acrescentou que a sociedade busca um “salvador” que a defenda com “muros, alambrados, com o que seja, de outros povos” que possam “tirar sua identidade”. “Isso é muito grave. Por isso sempre digo: dialoguem entre vocês. O caso da Alemanha em 1933 é típico: um povo que estava em crise, que buscou sua identidade, e apareceu esse líder carismático que prometeu lhes dar uma identidade. E sabemos o que aconteceu”, lembrou Francisco.
O líder da Igreja Católica também ressaltou que todos os países têm o direito de controlar suas fronteiras, principalmente os ameaçados pelo terrorismo, mas que nenhum pode privar seus cidadãos do diálogo com os vizinhos.
Símbolo do populismo e ultranacionalismo na Itália, o secretário federal do partido Liga Norte, Matteo Salvini, comentou as declarações e rechaçou comparações com Hitler. “O papa diz que Hitler nasceu do populismo? Deve ter sido mal interpretado. O papa fala com as almas. Além disso, Hitler morreu e foi sepultado. Se dizem que sou populista, fico contente, porque quer dizer que falo com o povo”, afirmou.



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quarta-feira, 8 de março de 2017

Dia Internacional da Mulher - O dom de ser mulher depois dos 40, por José Saramago

Nos encontramos em um momento no qual nos permitimos crescer e curar aquelas feridas e questões que haviam ficado sem resolver na primeira metade da nossa vida.
***
Quantos anos tenho?
Tenho a idade em que as coisas são vistas com mais calma, mas com o interesse de seguir crescendo.
Tenho os anos em que os sonhos começam a acariciar com os dedos e as ilusões se convertem em esperança.
Tenho os anos em que o amor, às vezes, é uma chama intensa, ansiosa por consumir-se no fogo de uma paixão desejada.
E outras vezes é uma ressaca de paz, como o entardecer em uma praia.
Quantos anos tenho?
Não preciso de um número para marcar, pois meus anseios alcançados, as lágrimas que derramei pelo caminho ao ver minhas ilusões despedaçadas…
Valem muito mais que isso
O que importa se faço vinte, quarenta ou sessenta?!
O que importa é a idade que sinto.
Tenho os anos que necessito para viver livre e sem medos.
Para seguir sem temor pela trilha, pois levo comigo a experiência adquirida e a força de meus anseios.
Quantos anos tenho? Isso a quem importa?
Tenho os anos necessários para perder o medo e fazer o que quero e o que sinto.
Por: José Saramago

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sábado, 4 de março de 2017

Pessoas acima de 100 anos e seus 10 mandamentos da felicidade

Você provavelmente já ouviu falar sobre a ilha de Okinawa, no Japão. O lugar ficou conhecido por ter a maior população de pessoas acima dos 100 anos no mundo inteiro. Mas não é apenas o segredo da longevidade que seus habitantes guardam: eles também podem nos ensinar a arte da felicidade.
Os escritores Héctor Garcia e Francesc Miralles viajaram a Okinawa para desvendar o segredo de sua população e entender como seus habitantes vivem tanto e tão bem. O resultado se tornou o livro Ikigai – Viva bem até aos cem. Durante sua estadia, os autores reuniram os 10 principais mandamentos para a felicidade praticados pelos centenários da ilha – e a gente conta um pouco sobre eles abaixo.

1. Manter-se ativo

Mesmo após a aposentadoria, os idosos de Okinawa continuavam ativos, muitas vezes trabalhando ou dedicando-se a um hobby. Essa ideia se resume pelo conceito de Ikigai, que seria definido como uma razão para se levantar todas as manhãs.

2. Vá com calma

Se estressar só faz mal à saúde. Por isso, os moradores de Okinawa sabem que um dos segredos da vida é justamente fazer cada coisa no seu tempo. Dormir bem, manter o ambiente ao seu redor em ordem e praticar meditação são algumas das práticas comuns para desacelerar.

3. Coma menos

Com uma dieta rica em tofu, batata-doce, peixe e vegetais, os centenários têm ainda outro hábito em comum: eles evitam comer até estarem cheios. Segundo o livro, eles geralmente param de comer quando sentem que estão 80% satisfeitos, fazendo com que o corpo acelere a oxidação celular para uma digestão prolongada.

4. Amigos

Em Okinawa, é comum que as pessoas formem laços fortes dentro de sua comunidade, como se fossem uma verdadeira família. É um sentimento de pertencimento e de ajuda mútua que dá sentido à vida e ajuda a aumentar a expectativa de vida de todos, segundo os autores.

5. Contato com a natureza

A maioria dos moradores da ilha possui uma horta ou mesmo uma pequena plantação de mangas ou chás. Com isso, eles se mantêm em contato com a natureza por mais tempo.

6. Sorrir

Os centenários pesquisados pelos autores tinham um coisa em comum: eles costumavam passar os dias sorrindo, mostrando sempre uma atitude positiva perante à vida.

7. Exercícios

Não é preciso passar o dia na academia para se manter ativo. Em Okinawa, as pessoas evitam o sedentarismo e, com isso, acabam afastando também diversas doenças relacionadas à falta de atividades físicas.

8. Gratidão

Na região de Okinawa, as pessoas dedicam um tempo de seus dias a agradecer o momento presente, buscando eliminar as emoções negativas e se focar apenas no que há de bom.

9. Viver o agora

Ao invés de viver a vida sem refletir, os anciãos japoneses buscam focar-se justamente no agora, buscando a consciência plena de cada momento.

10. Resiliência

Todos precisamos aprender a lidar com as dificuldades e dar a volta por cima, recuperando o sentido da vida. É sobre isso que trata a resiliência, uma atitude que nos permite focar no que é realmente importante para nós.


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quarta-feira, 1 de março de 2017

O que o vinho pode fazer por uma alma errante

(Texto da Jornalista Déa Januzzi)
Ninguém sabe o que um vinho tinto, uma música de Haendel, e uma orquídea amarela podem fazer por uma alma errante. Podem provocar um cataclisma, um maremoto, mas ao mesmo tempo podem inspirar versos largos, tão puros, tão cabernet sauvignon, tão rosso, tão tinto! Eu não entendo nada de vinho. Não sei o buquê, a safra, mas conheço o que um vinho tinto pode fazer no inverno dos nossos corações, mesmo em pleno verão. Enquanto ouço o minueto de Haendel penso que o vinho é uma companhia e me deparo com a orquídea amarela, presente de aniversário de alguém muito especial. Não sei porque, mas a magia do vinho com a música de Haendel, misturada com a orquídea amarela, entorpecem-me os sentidos, embriagam-me de emoção. Será que eu estou tonta?
Sim, há uma embriaguez dos sentidos, um eterno pacto com a loucura, com o insano, com o que não pode ser visto nem explicado. Com o indecifrável. Há uma boca suja de vinho tinto procurando outra boca, há um beijo rubro na taça de cristal buscando outra taça. Há o ranger dos dentes manchados de vinho tinto, de pura fantasia. Há um vulcão tingindo as emoções, com labaredas de música clássica, com a beleza de uma orquídea. Há um turbilhão dentro de mim! Que mãe é essa que degusta o vinho com o sabor da última esperança? Que mãe é essa que se desespera diante de uma orquídea, que anseia pela beleza da vida? Que mãe é essa que se embriaga de esperança todas as noites, que dorme ao som de Handel? Ai, mães do mundo, que mistério tem numa taça de vinho tinto que transborda ao som da vida, do vermelho do parto, da cruz dos braços que gemem amor, que suplicam por misericórdia?´
Que mulher é essa que tem uma dor incurável, insana, vermelha. Cor da paixão, do derrame, do vinho tinto? Eu sou a mãe das tempestades, dos relâmpagos, dos trovões. Mãe da inquietação, do porvir, do que nunca está pronto, do que virá. Sem forma, sem endereço, sem espaço – ilimitada. A minha alma voa por terras distantes. É uma alma andarilha. Que poder tem uma taça de cristal, cheia de vinho tinto?
O poder da chama, do fogo, do paraíso, da criação. Não, não sou normal nem nunca serei nesse porto da desesperança. Não quero mais nem menos. Não preciso de nada. Tudo está no seu devido lugar. Só não perguntei ao meu filho o que ela acha de uma mãe embriagada de vinho. Que o meu filho me perdoe, de ter uma mãe que precisa de vinho, de música, de poesia e de flor para viver.
Que o meu filho me desculpe de estar tão embriagada e tão lúcida para formar palavras incompreensíveis, mas tão claras, tão transparentes, tão óbvias, tão eternas… O que fazer com a mulher imperfeita, que clama por justiça, que se banha na erva daninha da poesia e da música clássica? O que pode alguém fazer com essa mulher antítese, contrária às correntes, avessa a certezas, a ordens estabelecidas? O que posso fazer assim tão vacilante, trôpega, desdobrada, com o peito aberto, temperado com vinho, música clássica e orquídea?
Ah, me desculpem, mas estou no fundo da taça de cristal. Sou uma espécie de borra, uma mancha na toalha branca. Sou tinta vermelha. Sou uva, melodia. Sou o fundo da garrafa, o resto da borbulha, espumante, verdadeira. Sou mãe dos vendavais, das tempestades, do amor infinito, que se completa na incerteza, no que não está programado, no que não tem receita. Nem contra-indicação. Eu sou a mãe do confronto. Não posso apenas ser mãe, porque o vinho me leva para longe deste planeta. Viro poeira galáctica. De lá, grito ao vento, desenho nas estrelas e escrevo nas nuvens: “Salvem essa mulher de si mesma.”

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